Chegamos na casa de meus tios. Deve estar uns 70 graus C. Passei mal. Gostei. Quando eu estava enjoada e suando, eu estava sentindo alguma coisa.
Minha psicóloga pode te convencer que eu não sei mais quando eu estou fingindo que estou feliz

e quando eu estou feliz de verdade. Bem, eu sei sim. Houveram muitos momentos felizes, mas eles têm diminuído a frequência. E nos últimos anos, cerca de 90% foi fingimento. Eu sei porque EU estava sentindo. Ou fingindo.
Eu já me cortei. No início era para distrair os pensamentos obscuros que insistiam em aparecer na minha cabeça. Mas agora, eu corto apenas para sentir. Sentir alguma coisa; qualquer coisa. Mesmo que seja dor. Me arrependo de ter cortado, mas isso não me impedira de fazer uma outra vez.
Demorei 4 meses para contar pra psicóloga. Depois contei para os meus pais. Não contei tudo, é claro. Contei apenas uma parte. Eu forço o vomito. E isso (que na minha opinião é menos pior que se cortar), já foi o suficiente para assustá-los.
Logo comecei a ir ao psiquiatra também. Na minha primeira consulta, estava exausta; não aguentava mais mentir, fingir, esconder. Qual era o sentido daquilo tudo? Chamar a atenção? Então por que eu me dava ao trabalho de esconder? Falei tudo para o psiquiatra. não escondi nada. Falei dos vomitos, que foram os primeiros, das bebidas escondidas, que vieram logo depois, e dos cortes, que foram os últimos.
Troquei de psicóloga. Gostei mil vezes mais da nova. Ela me deu esperanças. Ela confiava em mim. Ele acreditava piamente que eu poderia sair da situação que eu me encontrava.
Segui o tratamento. Suspendi (quase completamente) essas ações da minha vida. Eu senti uma melhora. Eu sempre gostava quando a quarta feira chegava; era o dia da sessão com a psicóloga!
Demorei um tempo, mas eu percebi que eu não queria mudar. Não, na verdade que queria (e ainda quero) sim mudar; mas eu nunca acreditei (e ainda não acredito) que eu fosse capaz de mudar.

Eu chorava muito. Não gostava; tentava ao máximo reprimi-las. Elas costumavam vencer, mas eu consegui pelo menos atrasa-las algumas vezes. E aí, o choro começou a diminuir. Faz quase um mes que não choro. Sempre que sinto as lágrimas vindo, faço força para caírem, mas elas parecem me provocar; secando bem no momento que eu achei que fossem cair.
De novo, chorar era sentir alguma coisa. Triste da grande maioria das vezes, mas ainda, alguma coisa.
Hoje? A verdade é que eu já desisti. Quer dizer. não desisti de procurar a felicidade, mas desisti de procura-la aqui. Não sei. Às vezes ela ta aqui e eu não estou sabendo ver. Mas se eu não consigo por que nao deixar outra pessoa tentar?
Talvez a minha não esteja tão longe, mas eu tomei uma decisão. Já que segundo livro e filmes nao se acha a felicidade no destino, mas sim durante a jornada, eu vou fazer da minha jornada uma jornada feliz.
Eu tenho absolutamente nenhum motivo para me sentir assim. Meus pais são bons (exagerei um pouco no post anterior), minhas irmãs são legais. Enfim, minha família é muito boa e unida; moramos um uma bela casa, temos excelente condições financeiras e todas as filhas vão à melhor escola particular da cidade.
Não sei ainda qual foi a decisão que eu tomei, só sei que ela já est;a tomada. Vou me matar? É possível. Mas também é possível que eu apenas fuja de casa. Vá morar longe da minha vida perfeitinha de classe alta. Vou para as ruas. Mas... Não sei. Quem sabe?
A decisão não é imediata. Posso levar uma semana assim como posso levar um ano.
Desculpa pelo texto um tanto melancólico.
Vou tentar animar um pouco mais no próximo,
porque, afinal, pode ser o meu último post. heh
bjos
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